Quais são as estatísticas a respeito da queda de idosos e suas decorrências?

Aproximadamente 75% das mortes decorrentes nos Estados Unidos ocorrem em 14% da população acima de 65 anos, e o índice de mortalidade aumenta muito após os 70 anos, principalmente em homens. No Brasil, cerca de 29% dos idosos caem ao menos uma vez ao ano e 13% caem de forma recorrente. Essas estimativas apontam índices alarmantes já que, em 2025, nosso país poderá contar com 31,8 milhões de habitantes com 70 anos ou mais, e ocupará o sexto lugar no mundo na população de idosos.

Quais são as principais causas e consequências dessas quedas?

A maior suscetibilidade dos idosos a sofrerem quedas se deve à presença de doenças associadas ao processo de envelhecimento, que levam à diminuição do equilíbrio corporal. Além da alta mortalidade, destacam-se ainda como conseqüências relevantes o fato de a queda causar restrição de mobilidade, incapacidade funcional, isolamento social e diminuição da qualidade de vida dos idosos.

Existem doenças que provocam as quedas?

Muitas são as doenças que afetam o equilíbrio dos idosos, sendo que as doenças do labirinto assumem muita importância nesse contexto, pois o aumento da idade é diretamente proporcional à presença de diferentes sintomas vestibulares e manifestações clínicas, como vertigem e outras tonturas, alterações do equilíbrio corporal, restrição de movimentação, insegurança física e psíquica na locomoção e distúrbios da marcha e queda. Essas alterações do aparelho vestibular elevam o número de quedas em pacientes idosos em relação aos idosos da comunidade em geral. Os transtornos de equilíbrio podem se manifestar como instabilidade postural, vertigens, tonturas, dificuldade de fixar imagens ao mover a cabeça ou o corpo, bem como dificuldade de concentração mental e risco de queda, principalmente na população idosa. Muitas vezes os pacientes, após serem tratados com medicamentos, não apresentam mais os sintomas iniciais, mas permanecem com seqüelas, tais como instabilidade postural, que aumenta muito o risco de quedas.

Como é feito o diagnóstico dessas doenças?

Como esses sintomas vestibulares podem ser causados por uma série de doenças, é necessário que o paciente passe por um médico otorrinolaringologista, para que este faça inicialmente o diagnóstico preciso da causa dos sintomas através de uma avaliação otoneurológica. Muitas vezes o paciente idoso também é encaminhado e acompanhado por outros profissionais (neurologistas, nutriocionistas, fisioterapeutas, educadores físicos), conforme as particularidades de cada caso. Existem vários distúrbios labirínticos, e cada um deles requer um tipo específico de tratamento, seja medicamento, seja medicamentoso, cirúrgico ou de reabilitação.

E a medicação?

Geralmente as pessoas usam medicamentos para sair de uma crise aguda de tontura, mas é importante que a medicação seja receitada pelo médico e que não seja usada por um período muito prolongado, pois os medicamentos antivertiginosos são depressores do sistema labiríntico. Ao mesmo tempo em que diminuem os sintomas de mal-estar, prejudicam os mecanismos de recuperação e compensação do sistema vestibular.

Como são os tratamentos?

Um recurso de tratamento para esses pacientes é a Reabilitação Vestibular ou Fisioterapia Labiríntica, que é um tratamento voltado para pacientes que apresentam vertigens e desordens do equilíbrio. Geralmente as vertigens estão associadas a uma disfunção do labirinto, mas podem ser causadas por uma variedade muito grande de doenças centrais ou periféricas, bem como ter origens relacionadas à coluna cervical ou ao envelhecimento. As pessoas comumente denominam as tonturas como sendo “labirintites”, porém é importante esclarecer que labirintite é uma enfermidade de rara ocorrência, caracterizada por uma infecção do labirinto. O termo é utilizado de maneira equivocada para designar todas as patologias do sistema labiríntico. Nesse caso, o termo labirintopatia é mais adequado. Passada a crise aguda e estabelecendo-se um diagnóstico, pode-se iniciar a Fisioterapia Labiríntica, que consiste em exercícios personalizados, repetitivos, numa combinação de movimentos dos olhos, cabeça ou corpo, associados a estímulos visuais ou labirínticos.

Quais são as tecnologias para o tratamento destes distúrbios?

Como nova alternativa de tratamento em Reabilitação Vestibular, surgiu um aparelho chamado BRU – Balance Rehabilitation Unit (Unidade de Reabilitação em Equilíbrio). Trata-se de um aparelho que foi importado pela Clínica Lavinsky, único em Porto Alegre e pioneiro no país. O aparelho consiste em um sistema de realidade virtual para diagnóstico funcional do equilíbrio e reabilitação de pacientes.

Quais as indicações do BRU?

O BRU é indicado para os pacientes que apresentam vertigens, tonturas, dificuldades de fixar imagens quando caminham ou movem a cabeça, desequilíbrios, instabilidade postural e, particularmente, como prevenção de queda – principalmente na população idosa. Como esses sintomas podem ser causados, por uma série de doenças, é necessário que o médico faça inicialmente o diagnóstico preciso da causa das tonturas, vertigens ou desequilíbrios.

Como funciona?

O BRU está dividido em dois módulos: posturografia (diagnóstico funcional do equilíbrio) e reabilitação. Na posturografia são avaliadas as respostas de equilíbrio do paciente a uma série de estímulos, determinados pelas etapas do exame. Em cada etapa são projetados estímulos visuais para óculos de realidade virtual, que recriam situações da vida cotidiana, como atravessar a rua, observar carros em movimento, subir e descer escadas, entre outras. Para cada uma das etapas há o registro do centro de pressão e da velocidade de oscilação do indivíduo. Nesse exame são identificadas as condições que desencadeiam os sintomas e desconfortos citados anteriormente. De acordo com o resultado da posturografia, o paciente será tratado no módulo Reabilitação, por meio de uma seqüência de exercícios individualizada, que é realizada no próprio aparelho.

E a reabilitação?

Esses exercícios são implementados por um fisioterapeuta especializado nessa área, que avalia o paciente na posturografia e que supervisiona o seu desempenho durante todas as sessões de tratamento. O paciente pode permanecer em pé, imóvel, marcando passos, movendo a cabeça; deve estar sobre piso firme ou colchonete ou sentado sobre uma bola, enquanto observa os estímulos escolhidos para o tratamento. A Unidade de Reabilitação do Equilíbrio permite treinar de uma maneira controlada os reflexos envolvidos no controle postural e na estabilização de imagens. Permite também preparar o paciente para situações de conflito de informações periféricas, como uma grande variação de estímulos, personalizados e adequados para cada caso. Após um número definido de sessões, o paciente é novamente avaliado por uma posturografia e seus resultados são comparados aos da posturografia inicial.

Como é a resposta do paciente?

A intensidade dos estímulos oferecidos faz com que o Sistema Nervoso Central do paciente se adapte aos movimentos de cabeça e do corpo e estabilize imagens, sem gerar tonturas, náuseas, desequilíbrios e outros desconfortos. O grande diferencial do tratamento com BRU é que em pouco tempo se pode observar e quantificar a melhora do paciente, o que é particularmente importante já que toda a informação em saúde deve ser baseada em evidências. Esse é mais um recurso disponível para prevenção de quedas em idosos, visando atenuar ou extinguir os sintomas remanescentes, reinserir o indivíduo em suas atividades de vida diária de forma que ele seja o mais independente possível, e fazê-lo retornar ao convívio social a que estava habituado.

Atenção: Todas as informações contidas neste site possuem caráter informativo, não substituindo, em hipótese alguma, as orientações de seu médico.

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